Falta de orientação, consumo por impulso e acesso facilitado ao crédito estão entre os principais fatores do endividamento precoce.
Por: Ana Luísa de Oliveira Bonifácio
28 de maio de 2026

imagem de crianças na escola (fonte: repórter)
O início da vida financeira, para muitos jovens, é marcado pela sensação de liberdade. O primeiro salário e o acesso facilitado ao crédito dão a impressão de autonomia, mas também ajudam a explicar por que tantos acabam se endividando logo cedo.
Segundo a psicóloga e assessora financeira Francyelle Soares, o principal problema está na falta de preparo. “Muitos jovens começam a lidar com dinheiro sem entender que ele envolve limite, consequência e priorização. Eles enxergam como liberdade, e não como responsabilidade”, explica.
Ela destaca que a educação financeira deveria começar ainda na infância, com aprendizados simples do dia a dia, como diferenciar desejo de necessidade e entender que nem tudo pode ser conquistado ao mesmo tempo. Sem essa base, o jovem tende a agir por impulso, o que facilita o descontrole.
A experiência do jovem Marcelo Pereira reforça essa realidade. Ele conta que, ao começar a trabalhar, passou a consumir sem planejamento. “Eu achava que podia comprar o que quisesse. Quando vi, já estava cheio de parcelas e dívidas”, relata. Segundo ele, a falta de orientação fez com que demorasse a perceber os erros.
Outro fator que contribui para o endividamento é o uso do cartão de crédito. Para a especialista, ele pode criar uma falsa sensação de poder de compra. “O jovem consome agora, mas não sente o impacto na hora. Sem consciência, o crédito vira uma extensão da renda”, afirma.
Diante disso, o primeiro passo para mudar essa realidade é desenvolver consciência sobre os próprios hábitos. Antes de pensar em planilhas ou investimentos, é preciso entender para onde o dinheiro está indo e por que ele está sendo gasto.
Como forma de enfrentar esse problema desde a base, a especialista desenvolve um projeto voltado à educação financeira para crianças. A proposta é trabalhar comportamento e tomada de decisão desde cedo, mostrando que a relação com o dinheiro começa muito antes da vida adulta. Para ela, é essencial mudar hábitos ainda na infância, para que, quando houver acesso ao dinheiro, as escolhas sejam mais conscientes.
Mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no Instagram da especialista: