01/06/2026

Goiânia reúne diferentes formas de viver a cidade

Região central concentra experiências culturais ligadas à identidade urbana e à vida cotidiana da capital

Vista aérea de Goiânia/Goiás Foto: Paulo José/Prefeitura de Goiânia

Reconhecida nacionalmente pela música sertaneja, pela culinária típica e pelos parques urbanos, Goiânia também reúne espaços culturais e experiências que ultrapassam a imagem mais tradicional associada à capital. Entre prédios históricos, cinemas públicos, galerias urbanas e museus, a cidade desenvolveu ao longo dos anos uma cena ligada à arte, à fotografia, ao audiovisual e à ocupação cultural da região central.

Planejada na década de 1930 e considerada um dos principais conjuntos Art Déco do Brasil, a capital goiana concentra parte desse circuito em regiões como a Praça Cívica, o Bosque dos Buritis e o Setor Central. Nesses espaços, visitantes encontram acervos históricos, exposições de arte contemporânea, sessões de cinema alternativo, feiras culturais e intervenções urbanas que apresentam diferentes identidades de Goiânia para além dos roteiros mais conhecidos.

Museu no parque

Foto: Jackson Rodrigues

Criado na década de 1970, o museu reúne parte importante da produção artística goiana e brasileira. O acervo conta com mais de 700 obras ligadas às artes visuais, além de exposições temporárias realizadas ao longo do ano. Entre os artistas presentes no espaço estão nomes como Siron Franco, Antônio Poteiro e Frei Confaloni.

Integrado à paisagem do Bosque dos Buritis, o local também acompanha a dinâmica cotidiana do parque, frequentado para registros fotográficos e atividades ao ar livre. Com entrada gratuita, o Museu de Arte de Goiânia funciona de terça a domingo, das 9h às 17h. Em períodos de férias e feriados, os horários podem sofrer alterações.

A programação do museu pode ser consultada nas redes sociais e canais oficiais da instituição.

Instagram: https://www.instagram.com/museudeartedegoiania/

Localização: https://maps.app.goo.gl/Y5W3RbPHNYtt5PVS8

Arte no Centro

Foto:Leandro Moura

A arte faz parte do do centro de goânia, a Vila Cultural Cora Coralina reúne exposições de artes visuais, lançamentos literários, espetáculos de música, teatro e dança, além de feiras de arte, mostras de cinema e atividades formativas, como minicursos, palestras e seminários. A unidade é considerada um dos principais pontos de circulação da produção cultural contemporânea na capital.

Inaugurada em 31 de outubro de 2013, a Vila Cultural leva o nome da poeta goiana Cora Coralina e integra ações voltadas à difusão cultural e à revitalização da região central de Goiânia. O projeto arquitetônico é assinado pelo urbanista Luiz Fernando Cruvinel, com estrutura planejada para receber diferentes formatos de exposições e eventos culturais.

A unidade abriga espaços como a Sala Principal de Exposições, Sala Multimídia João Bênnio, Sala Antônio Poteiro, Sala Sebastião Barbosa, hall, varanda e a Praça Belkiss Spenziere. Ao longo do ano, o local recebe mostras temporárias, eventos independentes e atividades ligadas à cena artística local e nacional.

Com entrada gratuita, a Vila Cultural Cora Coralina funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, recebendo turistas, estudantes, pesquisadores e visitantes interessados na cena cultural goiana.

Instagram: https://www.instagram.com/vilaculturalcc

Localização: https://maps.app.goo.gl/Qie8Tj8wY3feLkx69

Galeria a céu aberto

Foto: Giovanna Curado

Além dos museus e centros expositivos, Goiânia também desenvolveu espaços ligados à arte urbana e à ocupação cultural do espaço público. Associado a movimentos culturais como o hip-hop, o grafite passou a integrar diferentes formas de expressão presentes na música, na moda e na cultura popular, transformando áreas da cidade em ambientes de circulação artística.

Apesar de frequentemente ser confundido com a pichação, o grafite possui características próprias relacionadas à estética visual, ao uso de cores e à construção artística das intervenções. Em Goiânia, um dos principais exemplos dessa expressão urbana é o Beco da Codorna, reconhecido como um dos redutos de arte urbana do Centro da capital.

Localizado entre a Avenida Anhanguera e a Avenida Tocantins, atrás do Cine Ouro, o beco se transformou em uma galeria de arte a céu aberto com grafites, murais e intervenções visuais produzidas por artistas locais. O espaço também recebe feiras culturais, apresentações musicais e eventos independentes realizados no Centro da cidade.

O local tornou-se ponto de encontro de artistas, coletivos culturais e visitantes interessados em fotografia, arte urbana e manifestações contemporâneas. Nas redes sociais, visitantes costumam compartilhar registros utilizando a hashtag #BECODACODORNA.

Instagram: https://www.instagram.com/museudeartedegoiania/

Localização: https://maps.app.goo.gl/Qie8Tj8wY3feLkx69

Vida cultural noturna

A Rua do Lazer voltou a receber atividades culturais e maior circulação de visitantes após as obras de revitalização realizadas no Centro da capital. Localizada próximo a Av. Goiás, no Setor Central, a via é considerada um dos espaços mais simbólicos da vida cultural e noturna de Goiânia desde a década de 1980, reunindo bares, manifestações artísticas e diferentes movimentos culturais ao longo de sua história.

Reconhecida como patrimônio imaterial de Goiânia, a Rua do Lazer passou a reunir artistas, estudantes, trabalhadores, turistas e moradores da capital. O espaço abriga feiras de artesanato, apresentações musicais, intervenções urbanas e atividades comunitárias, mantendo forte relação com a identidade cultural goianiense e com os projetos de revitalização da região central.

Atualmente, a rua é interditada para veículos às sextas-feiras e sábados a partir das 18h, além de permanecer fechada durante todo o dia aos domingos e feriados. À noite, o local passa a receber mesas, tendas, apresentações culturais e música ao vivo nos bares e estabelecimentos instalados na região, ampliando o fluxo de visitantes no Centro da cidade.

Instagram: https://www.instagram.com/ruadolazergoiania/

Localização: https://maps.app.goo.gl/RkGXKVpqYVX8hi5w6

Olhares sobre o Centro

Foto: Giovanna Curado

A relação entre arte, memória e ocupação cultural do Centro de Goiânia também aparece em projetos desenvolvidos por moradores e pesquisadores da capital. Entre eles está o trabalho da publicitária Giovanna Curado, do curso de Comunicação Social: Publicidade e Propaganda da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás (FIC/UFG), que transformou as memórias de frequentadores da região central em um fotolivro sobre a cidade.

Desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e aprovado em fevereiro de 2024 o projeto “Mapas Afetivos do Centro de Goiânia: um Fotolivro de Memórias Individuais e Coletivas” reúne fotografias e relatos construídos a partir das memórias de cinco colaboradores da região central. A proposta buscou retratar o Centro não apenas pela paisagem urbana, mas também pelas relações afetivas, experiências cotidianas e lembranças compartilhadas por quem vive e circula pelo local.

“Sendo uma estudante de Publicidade e Propaganda, decidi concluir minha graduação com um projeto que tivesse a minha identidade, algo conectado ao que me move e que estimulasse minha criatividade. Assim nasceu o fotolivro, unindo duas grandes paixões, a fotografia e o centro de Goiânia”, afirma Giovanna.

Para desenvolver o trabalho, a estudante realizou entrevistas em profundidade com colaboradores de diferentes idades, perfis e trajetórias: Bianca, 27 anos, estudante de Publicidade e frequentadora assídua do Centro; Benedito, 24 anos, morador do Setor Central com forte ligação com arte e culinária; Marco Aurélio, 56 anos, goianiense que acompanhou as transformações do bairro ao longo das décadas; Nathália, 33 anos, professora de História e pesquisadora de Arte Urbana; e Manuel, 62 anos, antropólogo e morador do Setor Central desde a infância.

“Os relatos serviram como roteiro para os registros fotográficos produzidos ao longo da pesquisa pelas ruas, becos, feiras, praças e fachadas da região central. O centro não é retratado de forma geográfica ou apenas urbana, mas a partir das memórias e afetos das pessoas que vivem esses espaços diariamente”, destaca Curado.

O resultado foi um fotolivro dividido em 5 partes que se complementam, cada um conduzido pela narrativa de um colaborador e reunidos em uma única caixa. O conjunto materializa o conceito de memória individual e coletiva proposto pelo sociólogo Maurice Halbwachs: cada fotolivro representa um olhar particular sobre o Centro, e juntos formam uma imagem coletiva do lugar. O trabalho também dialoga com a fotografia de rua e com a ideia de flânerie, conceito ligado ao ato de caminhar e observar a cidade de forma atenta e sensível. Com base nas Cartografias Sentimentais da filósofa Suely Rolnik.

A comunicadora percorreu o região central de Goiânia como um flâneur detetive, guiada pelos relatos dos colaboradores, registrando grafites, fachadas, cenas cotidianas e intervenções urbanas espalhadas pela região central. Cada parte do projeto carrega uma identidade visual própria, com tipografia, paleta de cores e tratamento fotográfico diferenciados, para traduzir em imagem o tom afetivo de cada colaborador e sua relação com o Centro de Goiânia.

“As pinturas, os grafites e as intervenções urbanas ajudam a contar histórias e revelam diferentes formas de relação com a cidade. Registrar esses espaços foi uma forma de preservar parte dessas memórias e da identidade cultural presente no Centro de Goiânia”, conclui a publicitária.

Confira um vídeo sobre o projeto, publicado pela publicitária Giovanna Curado.

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