Produção de arábica deve se manter em 253,2 mil sacas, enquanto expansão da área plantada aponta para crescimento nos próximos ciclos

Foto: Lucas Eugênio
A cafeicultura goiana entra em 2026 com perspectiva favorável. A produção de café arábica no estado deve atingir 253,2 mil sacas beneficiadas, volume próximo ao colhido em 2024, última safra de bienalidade positiva equivalente, com produtividade estimada em 42 sacas por hectare, o terceiro melhor resultado da série histórica estadual, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A bienalidade é um fenômeno natural do cafeeiro, que alterna anos de maior frutificação com anos de menor produção. Em ciclos positivos, como o de 2026, a tendência é de regularidade e consistência no volume colhido. Para Christiane de Amorim Brandão, Gerente de Inteligência de Mercado Agropecuário da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), a projeção estadual está alinhada ao padrão esperado para esse tipo de ciclo. “Em Goiás, a expectativa para a safra 2026 é favorável, projetada em 253,2 mil sacas beneficiadas, resultado bem próximo ao volume colhido no estado em 2024, safra também de bienalidade positiva”, afirma a gerente.
Brandão destaca ainda uma diferença importante entre a composição da produção goiana e a nacional. Enquanto Goiás cultiva predominantemente o arábica, o Brasil também produz o conilon, espécie mais rústica e com desempenho distinto. Para o conilon, a Conab projeta colheita recorde de 22 milhões de sacas em 2026, o que impulsiona a expectativa de marca histórica para o país como um todo.

Christiane de Amorim Brandão, Gerente de Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa Foto: Lucas Eugênio
Clima e manejo
A estabilidade da produção goiana não é resultado apenas da bienalidade. A regularidade das chuvas ao longo de 2026 favoreceu o enchimento dos grãos e a manutenção das lavouras em boas condições. O manejo adotado nas propriedades também teve papel central nesse desempenho. “Soma-se a isso o manejo eficiente adotado nas propriedades, com tratos culturais adequados como adubação equilibrada, correção do solo, poda, monitoramento e controle de pragas e doenças durante todo o ciclo”, pontua Brandão. Segundo a gerente, essas práticas têm assegurado bom estado fitossanitário nas lavouras, sem registro de danos fisiológicos relevantes, o que reforça a estimativa de produção elevada para a safra.
Expansão
O crescimento da área em formação reforça a perspectiva de evolução da cafeicultura goiana. No estado, essa área avançou 49,7% em relação ao último ciclo positivo, em 2024, superando a média nacional de 8,7%. Para Brandão, esse movimento foi impulsionado pela valorização dos preços registrada em 2025. “Acredita-se que a área em formação cresceu em virtude do cenário favorável à atividade frente à forte valorização dos preços. Com o aumento da área de formação e, consequentemente, da área produtiva, a expectativa para os próximos ciclos é de crescimento nos indicadores da cafeicultura no estado”, avalia a gerente.
Preço
O mesmo cenário que estimulou a expansão do plantio também movimentou o mercado. A valorização intensa do café teve início no segundo semestre de 2024, quando uma demanda aquecida encontrou oferta restrita, com estoques internacionais baixos e adversidades climáticas impactando safras no Brasil e no Vietnã. O Indicador do Café Arábica Cepea/Esalq atingiu o maior valor de sua série histórica em fevereiro de 2025, com média mensal de R$ 2.627,79 por saca.
Em 2026, com a perspectiva de safra recorde no Brasil, o preço recuou. Em fevereiro, o indicador registrou média de R$ 1.867,51 por saca, queda de 28,9% em relação ao pico anterior, movimento que, segundo Brandão, já era esperado pelo mercado. “O mercado responde de forma direta à dinâmica entre oferta e demanda. Com a projeção de uma safra volumosa e de magnitude como a brasileira, os preços nacionais e internacionais sofrem uma pressão baixista”, explica a gerente, ressaltando que, por se tratar de uma commodity, as cotações também sofrem influência de outras variáveis além da oferta e demanda.

Foto: Lucas Eugênio
Mesmo com a queda, o preço segue em patamar elevado. A avaliação da Seapa é de que o mercado deve se manter firme ao longo do ano. “Mesmo diante de uma expectativa de safra recorde para o Brasil, a tendência para esse ano é de preços firmes, sustentados por um baixo estoque global aliado a uma demanda doméstica e externa recorrente”, afirma Brandão. A gerente pondera, no entanto, que as cotações podem apresentar oscilações ao longo do ano, em função de fatores como condições climáticas, câmbio e cenário internacional.
Para o produtor goiano, a combinação de preço ainda elevado e custo de produção sob controle mantém a rentabilidade da atividade. O custo variável estimado pela Conab para Cristalina, principal município produtor do estado, foi de R$ 397,19 por saca em 2024. Ainda assim, Brandão pondera que essa referência reflete um perfil específico de produção. “A rentabilidade pode variar significativamente entre os produtores, refletindo as particularidades de cada sistema produtivo. Os custos estimados para Cristalina devem ser compreendidos como uma referência técnica, não representando a diversidade de realidades observadas entre os cafeicultores goianos”, conclui a gerente.
Jornalista especializado em fotojornalismo, jornalismo cultural e assessoria de comunicação. Amante de filmes, séries e animes. Paixão por contar histórias através das imagens.