03/04/2026

Psicologia em alta: procura por graduação dispara em cenário de crise

Alta na procura por psicologia reflete mudanças no mercado e na saúde mental

Por Ana Luiza Caffer, 02 de abril de 2026.

Atualmente o Brasil passa por um aumento significativo na procura pela graduação em psicologia. Segundo o Censo da Educação Superior realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o número de matrículas em Psicologia cresceu 112,4% entre 2010 e 2021, um ritmo muito superior à média de outros cursos de graduação (41%). Fatores como a pandemia de COVID-19, a busca por resoluções de problemas internos e as tendências geracionais exercem um papel fundamental no aumento da demanda, revelando um esteriótipo evidente e consequencial nesta geração.

A preferência da geração atual pelo curso de psicologia gera uma curiosidade que visa entender de onde vem o interesse pela mente humana.  A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou um aumento de 25% na prevalência global de ansiedade e depressão no primeiro ano da pandemia, cenário que se refletiu fortemente no Brasil. Com isso, vemos esse aumento influenciando fortemente na decisão de jovens recém formados no ensino médio de ingressarem no curso que estuda esses transtornos.

A pandemia impactou a saúde mental de todos, intensificando a ansiedade e a depressão. O Brasil, particularmente, apresenta altos índices de transtornos mentais. A busca por cura dentro do curso de psicologia reflete essa realidade“, afirma Monielly Bulhões, Estudante do 5º período de psicologia.

Entretanto faz-se necessário retratar sobre a conscientização também gerada pela pandemia. Segundo a neuropsicóloga Nathália Furtado, o período pós-pandêmico movimentou uma maior valorização da saúde mental que resultou na amplificação do entendimento sobre a necessidade do cuidado psicológico e dos benefícios da psicoterapia.

“Tenho percebido um aumento significativo na procura pelo curso de Psicologia, especialmente a partir de um pouco antes da pandemia, intensificando-se ainda mais no período pós-pandêmico. Esse movimento acompanha uma maior valorização da saúde mental, impulsionada tanto por evidências científicas sobre os benefícios da psicoterapia quanto pela vivência coletiva de um momento crítico, que levou muitas pessoas a repensarem suas emoções, relações e qualidade de vida.”, declara a neuropsicóloga.

​Em entrevista com a mestra em Psicologia, Camilla Paiva, ela declara que o desdobramento ocorreu tanto por causa da redução do valor da mensalidade dos cursos de graduação em Psicologia nas universidades particulares, como por causa da discussão sobre a saúde da mente que saiu dos consultórios fechados para o debate público nas redes sociais, tornando a busca pela ajuda e, consequentemente, pela profissão socialmente aceitável.

A Psicologia está em alta porque o mundo finalmente entendeu que o sofrimento psíquico é tão limitante quanto o físico, e que o comportamento humano é o ativo mais complexo e valioso da era da Inteligência Artificial. Em uma sociedade hiperconectada e emocionalmente exausta, a escuta cuidadosa e a gestão de pessoas tornaram-se competências indispensáveis.“, disse a mestra.

Dessa forma, é possível perceber padrões sociais se reinventando diante de novas necessidades e uma geração se encontrando nas diversas áreas de atuação da psicologia.

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