
As chamadas canetas emagrecedoras têm ganhado destaque nos últimos anos, impulsionadas por resultados rápidos e pela popularização nas redes sociais. Utilizadas inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, essas medicações passaram a ser amplamente prescritas também para o emagrecimento, despertando o interesse de milhares de pessoas em busca de perda de peso.
Esses medicamentos atuam, em sua maioria, imitando hormônios naturais do organismo responsáveis por controlar a saciedade e o apetite, levando à redução da ingestão alimentar. Com isso, o paciente tende a comer menos e, consequentemente, perder peso ao longo do tempo.
Apesar da popularidade, especialistas alertam que o uso dessas medicações deve ser feito com acompanhamento médico. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o uso é indicado principalmente para pacientes com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, como hipertensão e diabetes.
O médico endocrinologista Drauzio Varella ressalta que “essas medicações não são milagrosas e devem ser utilizadas dentro de um contexto de mudança de estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada e prática de atividade física”.

Estudos clínicos mostram que pacientes podem perder entre 10% e 15% do peso corporal com o uso dessas substâncias, dependendo da adesão ao tratamento e das mudanças de hábitos. No entanto, o uso indiscriminado pode trazer efeitos colaterais como náuseas, vômitos, constipação e, em casos mais raros, complicações mais sérias.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso sem prescrição médica e a compra irregular desses medicamentos representam riscos importantes à saúde. A agência reforça que apenas medicamentos registrados e utilizados sob orientação profissional devem ser considerados seguros.
O crescimento do uso das canetas emagrecedoras também está diretamente ligado à influência digital. Celebridades e influenciadores passaram a divulgar resultados rápidos, o que contribuiu para o aumento da procura, muitas vezes sem o devido conhecimento sobre indicações e riscos.
Para o médico endocrinologista Bruno Halpern, “o problema não é o medicamento em si, mas o uso fora das recomendações. A obesidade é uma doença crônica e deve ser tratada com responsabilidade e acompanhamento adequado”.
O futuro do tratamento da obesidade
As canetas emagrecedoras representam um avanço importante no tratamento da obesidade, oferecendo novas possibilidades para pacientes que não obtiveram sucesso com métodos tradicionais. No entanto, especialistas reforçam que não existe solução isolada.
O tratamento ideal continua sendo multidisciplinar, envolvendo médicos, nutricionistas e mudanças no estilo de vida. O uso consciente dessas medicações pode trazer benefícios significativos, desde que feito com responsabilidade e orientação profissional.

Junio Pedroza, Apaixonado por documentários e investigações. Em formação como jornalista e com foco em comportamento humano para revelar a verdade.
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