03/04/2026

Entre Palcos e Planilhas: A cena do rock se mantém ativa nos pubs de Goiânia 

Espaços especializados sustentam artistas locais, enfrentam desafios financeiros e mudanças no perfil do público jovem

Goiânia (GO) – Em meio à predominância do sertanejo, a capital goiana mantém uma cena consistente de rock, impulsionada principalmente por pubs voltados ao gênero. Esses estabelecimentos concentram apresentações ao vivo, fortalecem a circulação de bandas e reúnem um público fiel.

A operação desses pubs, no entanto, demanda planejamento e boa gestão. De acordo com o empresário Túlio Marinho, dono do Vikings Pub, a sustentabilidade do negócio depende de múltiplos fatores. “É preciso investir em estrutura, qualidade artística, atendimento, tecnologia e manter capital de giro. Não se trata apenas de abrir as portas, mas de administrar com estratégia”, afirma.

Bandas consagradas

A programação musical combina grupos locais e artistas reconhecidos nacionalmente, como a banda Ira! que já se apresentou no Vikings. Segundo o empresário, a presença de nomes consagrados não está necessariamente ligada ao retorno imediato. “Trazer atrações conhecidas também é uma forma de fortalecer a identidade da casa e diversificar a agenda”, explica.

Bandas independentes

Para músicos independentes, o cenário ainda apresenta limitações. O baterista Isaque Freitas da banda Código 62, relata dificuldades para ampliar espaço no circuito. “As casas priorizam repertórios conhecidos, pois atraem mais público. Quem trabalha com material próprio precisa insistir mais para conquistar visibilidade”, diz.

Público

Na perspectiva do público, os pubs cumprem um papel relevante na manutenção da diversidade cultural. A Beatriz Kimberlin destaca a identificação com o rock e a constância das apresentações. “Existe uma conexão maior. Quem frequenta esse tipo de evento costuma acompanhar as bandas e valorizar o cenário”, relata Beatriz.

Além das questões econômicas, transformações no comportamento de consumo já influenciam o setor. Túlio Marinho aponta mudanças no perfil das novas gerações como um dos principais desafios. “Há uma tendência de redução no consumo de bebidas alcoólicas entre jovens. Isso exige alternativas, como opções não alcoólicas e eventos em horários diferenciados”, avalia.

Apesar dos obstáculos, Túlio observa crescimento na adesão ao gênero nos últimos anos. “O público do rock é estável e não depende de tendências passageiras. Há uma base consolidada que mantém a cena ativa”, afirma.

Historicamente, Goiânia desenvolveu um circuito alternativo onde bares e pubs se consolidaram como espaços de resistência cultural, garantindo visibilidade aos artistas e ampliando o acesso do público ao rock.

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