03/04/2026

Entre covers e autorais, cena do rock resiste em Goiânia

Com shows frequentes, bandas autorais e espaços culturais ativos, capital goiana mantém tradição no rock alternativo

Mesmo fora do circuito comercial dominante, a cena do rock em Goiânia continua ativa. Entre shows independentes, eventos acessíveis e espaços culturais tradicionais, músicos e fãs mantêm viva uma cultura que resiste ao tempo e às mudanças do mercado.

O papel do Martim Cererê na cena local

Um dos principais pontos de encontro dessa movimentação é o Centro Cultural Martim Cererê. Localizado no Setor Sul, o espaço se consolidou ao longo das décadas como um dos principais abrigos do rock na cidade, sendo palco de festivais, shows e encontros culturais ligados à música independente.

Desde os anos 2000, o local passou a ser reconhecido como um verdadeiro “laboratório” da cena alternativa, revelando bandas e fortalecendo conexões entre artistas e público.

Atualmente, o espaço continua sendo fundamental para a movimentação cultural. Projetos como o “Cidade Rock” promovem shows frequentes e dão visibilidade a bandas locais, criando um ambiente acessível para novos artistas.

Centro cultural Martim Cererê
foto: Centro Cultural Martim Cererê

Eventos mantêm a cena em movimento

Recentemente, eventos menores como apresentações cover e shows autorais têm atraído um público fiel. Em uma dessas noites, um especial dedicado à banda “Deftones” reuniu diferentes grupos no Shiva Alt-Bar, criando uma atmosfera intensa e nostálgica para os fãs do rock alternativo. A diversidade de bandas no line-up reforçou a força da cena local, que se sustenta na colaboração entre artistas independentes.

A programação recente mostra que a cena está longe de ser esquecida. Eventos como o Cidade Rock reúnem bandas goianas e de outros estados, reforçam a diversidade sonora, com estilos que vão do punk  ao metal e ao rock alternativo.

Além disso, Goiânia carrega uma tradição consolidada no cenário nacional. Festivais como o Goiânia Noise Festival, criado em 1995, ajudaram a colocar a cidade no mapa do rock independente brasileiro, reunindo dezenas de bandas e incentivando a produção autoral.

Resistência fora do mainstream

Apesar da força cultural, a cena alternativa enfrenta desafios, principalmente em relação à visibilidade e ao espaço na mídia. Ainda assim, o movimento se mantém por meio da colaboração entre artistas, produtores e público.

A proposta não é competir com o que está em alta, mas criar um espaço próprio. Shows menores, ingressos acessíveis e proximidade entre bandas e público acabam sendo diferenciais que fortalecem essa cultura, além de colaborar com alimentos não perecíveis para a doação.

Mais do que música, um espaço de pertencimento

Para quem frequenta esses eventos, a experiência vai além do som. Trata-se de um ambiente onde pessoas com gostos semelhantes se encontram, trocam referências e constroem conexões.

Em Goiânia, o rock independente pode até não ocupar os grandes palcos comerciais, mas segue firme nos espaços alternativos provando que, mesmo em menor escala, a cena continua viva, relevante e em constante movimento.

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