03/04/2026

Cresce a epidemia silenciosa de ansiedade no Brasil e no mundo

A ansiedade, considerada o mal do século pela Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge proporções alarmantes no Brasil e no mundo. Estimativas recentes revelam que mais de 1 bilhão de pessoas convivem com transtornos mentais, sendo a ansiedade uma das principais causas de afastamentos do trabalho e de queda na qualidade de vida.

No Brasil, o problema é ainda mais grave: o país figura entre os líderes globais em incidência de transtornos ansiosos, com 68% da população relatando sintomas frequentes e mais de 141 mil afastamentos laborais registrados em 2024 apenas por esse motivo.

Levantamentos do Ministério da Saúde apontam crescimento de 14% nos atendimentos ambulatoriais por ansiedade entre 2023 e 2024. Enquanto isso, pesquisas internacionais, como a da Associação Psiquiátrica Americana, mostram que 43% dos adultos nos EUA se sentem mais ansiosos do que no ano anterior. Especialistas alertam que o cenário reflete não só os impactos da economia e das redes sociais, mas também a falta de acesso a tratamento psicológico de qualidade: problema que afeta mais da metade dos brasileiros que dizem precisar de ajuda.

Nos centros urbanos, a rotina acelerada e a sobrecarga digital são apontadas como fatores que intensificam a sensação de alerta constante. Psicólogos afirmam que a hiperconectividade e o excesso de informações alimentam o estresse e dificultam o descanso mental, sobretudo entre jovens. A “geração Z” ( nascida entre 1997-2012), por exemplo, apresenta índices de ansiedade mais altos do que qualquer outra faixa etária, refletindo um cenário de insegurança social e pressão por desempenho.

O desafio, segundo especialistas, está em transformar o crescente debate sobre saúde mental em políticas públicas efetivas. Apesar do aumento de campanhas de conscientização, mais da metade dos brasileiros que relatam sintomas de ansiedade nunca procuraram ajuda profissional, segundo pesquisa da AtlasIntel. Investimentos em atendimento psicológico, educação emocional e ambientes de trabalho mais equilibrados são apontados como medidas urgentes para conter o avanço desse transtorno que, silenciosamente, se tornou uma epidemia moderna.

COMO UM ALARME

Segundo Célia Cavalcante, psicóloga clínica autônoma que já atuou no projeto Incubadora, da Rede de Psicologia, a ansiedade é considerada o mal do século pois ela cresceu junto com o ritmo de vida das pessoas. As causas são o ritmo de vida acelerado e conectado, além de grande número de cobranças no dia a dia. “A mente fica acelerada, tentando dar conta de tudo, e isso gera um medo constante de falhar, de não ser suficiente, de perder o controle. A ansiedade é como um alarme que toca o tempo todo, mesmo quando não há perigo”, salienta.

Outro fator considerado relevante para o aumento da ansiedade é a desconexão do indivíduo com seu núcleo familiar. Seja por falta de tempo, conflitos ou distanciamento emocional, quando se perde um lugar de afeto e proteção, surgem medos novos, inseguranças que poderiam ser evitadas. O que antes era acolhido em casa, agora é vivido sozinho, em silêncio. Isso aumenta a sensação de estar perdido no mundo. Por isso, segundo Célia, cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar do corpo, e um dos remédios para a diminuição da ansiedade são os vínculos verdadeiros.

RECONEXÃO

São muitas as abordagens terapêuticas que podem ser usadas para tratar a ansiedade. Enquanto umas trabalham na análise dos pensamentos e comportamentos considerados causadores da ansiedade, outras investigam emoções profundas e conflitos internos. Existem terapias que focam na respiração e reconexão com o momento presente. Todas buscam o mesmo objetivo: fazer o indivíduo entender a si próprio, se fortalecer e lidar de forma mais benigna com a vida.

Sobre as abordagens para tratamento da ansiedade, Célia ainda afirma que esse transtorno está ligado à subjetividade de cada pessoa, e o tratamento deve saber respeitar a maneira única de cada indivíduo. Não há receita de bolo para buscar tratamento partindo da história de vida e experiências de cada um. “Quando falamos de gente, precisamos de uma visão ampliada, que considere o ser humano como um todo. Quanto menos fragmentamos, mais conseguimos alinhar as partes e promover um cuidado verdadeiro”, finaliza a psicóloga.

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