Mesmo após acordo para a realocação em 90 dias, CMS e SMS não chegam a consenso; ata da reunião será encaminhada ao Ministério Público.
Por: Fernanda Xavier
Seis meses após o Centro de Referência em Diagnóstico Terapêutico (CRDT), em Goiânia, ter sido fechado, ainda não há definição de onde ele será realocado. Em reunião realizada nesta quarta-feira (26) entre o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a fim de definir a situação da unidade de saúde, não se chegou a nenhuma conclusão. O CMS informou que a ata da reunião será encaminhada para o Ministério Público. Especializado em saúde e assistência a pacientes com doenças infectocontagiosas, como tuberculose, hanseníase e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), o CRDT foi fechado no dia 29 de maio deste ano, resultado de ação judicial movida em 2022, em razão da falta de pagamento de aluguéis na gestão anterior, que ocasionou o acúmulo de aproximadamente R$ 1,7 milhão em dívidas. Segundo a SMS, os serviços do CRDT foram redistribuídos na rede de saúde e seguem sendo ofertados normalmente. O presidente do CMS, Venerando Lemes, relata que, alguns meses após o fechamento e após diversas discussões, foi firmado em 15 de agosto um acordo entre ele e o secretário municipal de Saúde, Luiz Pelizzer. Na reunião, ficou definido um prazo de 90 dias para que o CRDT fosse realocado para um espaço que atendesse às necessidades da unidade. O prazo para esta realocação já está vencido há 13 dias e segue contando, uma vez que não se definiu nada formalmente durante a reunião. De acordo com o presidente, será solicitada, juntamente com o prefeito Sandro Mabel (UB), Pelizzer e demais entidades, uma reunião que possa contribuir na alocação de um espaço que possa receber toda a estrutura do centro especializado, além de tentar reconquistar a antiga área da unidade de saúde, que era atrás da Rodoviária de Goiânia e, por ser uma área do estado, entende-se que prevalece a necessidade de assistir à população. “Assim sendo, o prefeito, conjuntamente com alguns deputados, deveria tentar sensibilizar o governador Ronaldo Caiado (UB) para que a área possa ser cedida, a área que por muitos anos era utilizada para esse fim e que hoje está abandonada e servindo para que pessoas em situação de rua a usem como mocó”, cita Lemes. A pauta principal da reunião se concentrou na atual situação em que se encontra o CRDT, na urgência que existe em realocá-lo da mesma forma que era antes de ser fechado e, sobretudo, de forma única e não migratória, além da necessidade de colocar esse centro especializado em um espaço de fácil acesso e na região central, uma vez que a maior parte do público frequentador se concentra próximo à região central por serem, em sua maioria, pessoas em estado de vulnerabilidade, além de facilitar o transporte dos demais usuários. Realizada na manhã da última quarta-feira (26), no auditório do CMS, a reunião ordinária reuniu usuários, trabalhadores, gestores e prestadores do Sistema Único de Saúde (SUS). Também estiveram presentes o presidente e a vice-presidente do CMS, Celidalva Souza Bittencourt, o titular da SMS, um representante da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) e conselheiros locais. 2 O ex-presidente do CRDT, Léo Cassimir, conta que, durante a reunião, reforçou sobre a interrupção de grande parte dos usuários que frequentavam o centro e sobre a evasão no atendimento, uma vez que dificultou para as pessoas, uma vez que cada atendimento foi dividido em uma unidade específica. Em nota, a SMS informou que: “Sobre a reunião do conselho, não vamos nos posicionar”.