Gasolina mais cara pesa no INPC, afeta trabalhadores e encarece produtos e serviços

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O aumento no preço dos combustíveis tem impactado diretamente o custo de vida da população goiana e já aparece nos principais indicadores econômicos do país. Em 2026, a alta da gasolina e do diesel virou um dos principais motivos que empurram a inflação para cima. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), é calculado mensalmente e mede a variação do custo de vida para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, mostra o índice do custo de vida das famílias de menor renda.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) responsável pelo levantamento dos dados apontam que a gasolina subiu mais de 2% nos últimos tempos, essa subida impulsionou o imposto alcançar a cerca de 4% nos últimos doze meses. O impacto não fica apenas nos postos de abastecimento, ele se espalha por toda a economia, já que o Brasil depende do transporte rodoviário para a distribuição de produtos.
Em algumas regiões de Goiás, os preços subiram e o diesel está difícil de encontrar. A situação acende um alerta porque o diesel pode trazer impactos na cadeia de distribuição.
Os motoristas sentem o impacto imediato
Quem depende do carro para trabalhar sente o aumento direto no bolso. Esse é o caso do senhor Sebastião, que tem 70 anos e trabalha como caminhoneiro há mais de 40 anos.
Segundo ele, o custo para abastecer aumentou significativamente nos últimos meses, enquanto o valor do frete não acompanhou essa alta. “Hoje você abastece e o dinheiro vai embora na hora. No fim do mês, sobra quase nada”, afirmou.
A mudança no cenário forçou o caminhoneiro a mudar a rotina, agora escolhe as viagens com mais cuidado e já não aceita serviços que não dão lucro. “Tem diária que dá prejuízo. Se não fizer a conta pagamos para trabalhar”, disse.
Fatores por trás da alta
Entre os principais fatores que explicam o aumento atual dos combustíveis está o cenário internacional. Segundo o especialista, Eric Gil economista do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibepes), conflitos como a guerra no Oriente Médio elevaram o preço do petróleo no mercado global, impactando diretamente os derivados, como gasolina e diesel. Apesar disso, o Brasil sentiu esse impacto de forma menos intensa em comparação a outros países. Isso se deve, principalmente, à relativa autossuficiência na produção de petróleo e à estrutura de refino.
“Atualmente, o Brasil produz cerca de 93% da gasolina que consome e aproximadamente 73% do diesel e do gás de cozinha. Ainda assim, regiões que não contam com refinarias da Petrobras acabam sendo mais afetadas, como ocorreu na Bahia após a privatização da refinaria”, afirmou. Além disso, fatores como a variação do dólar e a política de preços também influenciam os valores praticados no país.
Efeito cascata na economia
O economista explicou que os combustíveis afetam o INPC de duas maneiras: direta e indireta. A gasolina tem um peso de cerca de 5,16 % no índice, o que a coloca de forma direta na composição. O diesel tem um peso menor, 0,23 %, e influencia de forma indireta, porque encarece o transporte de mercadorias e serviços.
“Todos os produtos passam, em algum momento, pelo transporte rodoviário. Quando o diesel sobe, o aumento do diesel eleva o custo dos alimentos. O aumento do diesel também eleva o custo dos medicamentos e eleva o custo de vários itens básicos”, afirmou. Na prática, esse processo cria o que chamamos de “efeito cascata”, que acontece quando o combustível fica mais caro e se espalha pelos diferentes setores da economia, fazendo subir os preços que o consumidor final paga.
O impacto é maior para as famílias de baixa renda.
A população de menor renda sente mais esses efeitos. Isso acontece porque a população de menor renda tem que destinar a maior parte do orçamento a itens essenciais, como alimentação e transporte. O especialista diz que o cenário ainda vai aparecer com mais força nos próximos índices oficiais de inflação.
O cenário reflete o impacto acumulado dos combustíveis nos últimos meses, e entre os fatores que explicam a alta estão, antes de tudo, questões externas, como o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, ocorrido por causa de conflitos geopolíticos, e a variação do dólar também tem influência. Dentro do país, os impostos e as políticas de preços também afetam a composição final.
Perspectiva ainda é incerta
A previsão de alívio nos preços ainda está incerta. O economista afirma que a redução dos preços depende de fatores externos, como a estabilização do mercado internacional de petróleo.
Enquanto isso, trabalhadores e consumidores seguem sentindo os efeitos no dia a dia. Seja no tanque cheio ou na compra do mês, o impacto dos combustíveis ainda pode continuar pesando no bolso da população.

Estudante de Jornalismo apaixonada por esportes, automobilismo, livros e cafés gelados.
Atua com produção de conteúdo e roteiros para redes sociais, focando em análise de corridas, curiosidades e bastidores do esporte a motor. Fundadora do blog Press On Racing, com foco em notícias das categorias de automobilismo e motociclismo nacionais e internacionais. Atualmente, fazendo parte do projeto Ladies on the Grid, que busca ampliar a presença feminina no automobilismo.
Além do jornalismo esportivo, dedica-se a trabalhos voluntários como editora-chefe e redatora na revista da ONG Projeto Amigas do Reino, que tem como propósito fortalecer e restaurar vidas femininas através de princípios bíblicos.
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