31/08/2026

HORAS NO TRANSPORTE: Transporte público faz moradores de Goiânia perderem parte significativa do dia em deslocamento

Por Marcos Filipi, Josias Vilar e Móises Rodrigues – Última atualização em 31/08/2026 ás 13:21

Trabalhadores e estudantes relatam que o deslocamento diário interfere no descanso, no trabalho e nos estudos; moradores de regiões periféricas são os mais afetados pelas longas viagens e conexões

Redação por Marcos Filipi

Todos os dias, milhares de moradores de Goiânia e da Região Metropolitana saem de casa ainda de madrugada para chegar ao trabalho, à escola ou à universidade. Para muitos deles, a jornada começa muito antes do expediente ou da primeira aula: começa no ponto de ônibus.

Foto: Por Marcos Filipi Local: Terminal Garavelo

Esperar pelo veículo, enfrentar a lotação, percorrer longas distâncias e, em alguns casos, trocar de ônibus em terminais são etapas que transformam o deslocamento em uma parte considerável da rotina.

Um levantamento divulgado pelo Instituto Ipsos em 2025 mostrou que 49% dos entrevistados em Goiânia consideram a redução do tempo de espera nos pontos, estações e terminais uma das principais prioridades para melhorar a mobilidade urbana. A lotação também aparece entre os principais problemas apontados pelos usuários.

O resultado revela uma questão que vai além do conforto: quanto tempo da vida do morador é consumido pelo transporte público?

UMA VIAGEM QUE PODE CONSUMIR HORAS

Um levantamento divulgado pelo jornal O Popular apontou que, na Região Metropolitana de Goiânia, uma viagem de transporte coletivo tinha duração média de aproximadamente 80 minutos, considerando o deslocamento completo, incluindo caminhada, espera e viagem.

Embora o levantamento seja de 2017 e não represente o atual cenário, ele ajuda a dimensionar o impacto das longas distâncias e das integrações no sistema.

Se uma pessoa gastar aproximadamente 80 minutos para ir e outros 80 minutos para voltar, serão 2 horas e 40 minutos por dia dedicados ao deslocamento.

Em 22 dias úteis, isso representa aproximadamente:

58 horas e 40 minutos por mês.

Em 11 meses de trabalho, seriam aproximadamente:

645 horas — o equivalente a quase 27 dias inteiros.

Ou seja, considerando apenas o tempo de deslocamento, um trabalhador pode passar praticamente um mês inteiro do ano em trânsito.

A ESPERA NO PONTO TAMBÉM PESA

Não existe uma estatística pública recente que determine um tempo médio único de espera para todos os pontos de Goiânia. A espera varia de acordo com a linha, horário, região e condições do trânsito.

Os relatos dos passageiros Gabriel Teles e Letícia Spínola que irão relatar seu dia a dia no Transporte Público, mostram situações bastante diferentes.

Em 2022, usuários chegaram a relatar esperas superiores a uma hora. Uma passageira afirmou ter aguardado 1 hora e 40 minutos por um ônibus.

Em dezembro de 2025, outro relato apontou uma espera de aproximadamente 30 a 40 minutos no Terminal Padre Pelágio por veículos com destino a Goianira.

Esses números são relatos individuais e não representam a média de toda a cidade. Ainda assim, ajudam a mostrar o impacto que atrasos e intervalos irregulares podem causar na rotina de quem depende do transporte coletivo.

Linha 933

Outra linha utilizada por estudantes da UFG é a 933.

Relatos publicados em 2025 apontaram atrasos e intervalos considerados longos pelos passageiros. Em algumas situações, estudantes afirmaram chegar às aulas atrasados por causa da demora do ônibus.

Linha 570

Na Região Metropolitana, a linha 570, em Aparecida de Goiânia, também recebeu reclamações relacionadas a atrasos e superlotação.

Usuários relataram problemas principalmente durante o início da manhã, entre aproximadamente 4h30 e 6h30, período em que muitos trabalhadores estão começando o deslocamento.

CENTRO E PERIFERIA: UMA DIFERENÇA QUE APARECE NO RELÓGIO

O tempo gasto no transporte não é igual para todos os moradores.

Quem vive próximo às regiões centrais ou aos principais corredores de transporte geralmente possui maior quantidade de linhas e alternativas para chegar ao destino.

Nas áreas mais afastadas, entretanto, o deslocamento pode envolver diversas etapas:

Casa → caminhada até o ponto → espera → ônibus → terminal → integração → outro ônibus → destino.

Cada etapa adiciona tempo à viagem.

A situação se torna ainda mais complicada quando ocorre um atraso ou quando o primeiro ônibus chega lotado e o passageiro precisa esperar pelo próximo.

Em um dos relatos divulgados pelo O Popular, uma moradora do Jardim Petrópolis afirmou que precisava sair de casa às 9h30 para chegar ao trabalho ao meio-dia, apesar de percorrer uma distância de aproximadamente nove quilômetros.

Na volta, saía do trabalho às 18h30 e chegava em casa perto das 22h.

O exemplo mostra que uma distância relativamente curta pode resultar em uma viagem extremamente longa quando há dependência do transporte coletivo.


PARA O TRABALHADOR, O DIA COMEÇA MAIS CEDO

O trabalhador que depende do ônibus precisa considerar não apenas o horário de entrada no emprego, mas também possíveis atrasos.

Se a jornada começa às 8h, por exemplo, sair de casa às 7h pode não ser suficiente para quem precisa enfrentar mais de uma linha ou um terminal.

Por isso, muitos passageiros saem com bastante antecedência.

O tempo perdido também se repete no final do expediente.

Depois de oito horas de trabalho, o trabalhador ainda pode enfrentar mais uma ou duas horas de deslocamento antes de chegar em casa.

O resultado é menos tempo para dormir, estudar, descansar, praticar atividades físicas ou conviver com a família.

ESTUDANTES TAMBÉM PAGAM O PREÇO DA DEMORA

O transporte público também exerce influência direta sobre a vida acadêmica.

Estudantes que dependem de ônibus para chegar às escolas e universidades precisam planejar o deslocamento considerando possíveis atrasos e lotação.

No caso dos estudantes da Universidade Federal de Goiás, relatos envolvendo as linhas 105 e 933 apontam dificuldades para chegar ao Campus Samambaia.

Para quem possui uma aula às 7h30 ou 8h, um atraso de 30 minutos pode significar perder boa parte da primeira aula.

Além disso, viagens longas podem provocar cansaço antes mesmo do início das atividades acadêmicas.

O Governo de Goiás oferece o Passe Livre Estudantil para estudantes beneficiários de Goiânia e da Região Metropolitana, com direito a viagens gratuitas dentro das regras do programa.

O benefício reduz o impacto financeiro, mas não reduz necessariamente o tempo gasto no deslocamento.

Depoimentos de Estudantes e Moradores da Região que usam o transporte público

Relatos da trabalhadora Letícia Spínola de 22 anos Moradora do Parque Amazônia, utiliza o transporte público todos os dias para se deslocar para casa e para o Trabalho.

Outro Relato que temos é do Estudante Gabriel Teles de 19 Anos Estudante de Tecnologia da Informação na Universidade Federal de Goiás, que utiliza também o transporte público todos os dias para ir para a Faculdade e Voltar para Casa.

“Tenho que sair de Casa bem mais Cedo”

Depoimento da cidadã Letícia — trabalhadora da Região Metropolitana

Pergunta: Quanto tempo você costuma gastar por dia utilizando o transporte público?

Resposta: “Geralmente gasto entre duas e três horas por dia contando o tempo que fico esperando no ponto, dentro do ônibus e fazendo as conexões. É um tempo que acaba fazendo muita diferença na minha rotina.”

Pergunta: Qual é o principal problema que você enfrenta no transporte coletivo?

Resposta: “Para mim, o maior problema é a demora. Às vezes o ônibus atrasa e, quando chega, está muito cheio. Tenho que sair de casa bem mais cedo para conseguir chegar ao trabalho no horário.”

“ACABO CHEGANDO MUITO CANSADO”

Depoimento do Gabriel Teles — Estudante de Tecnologia Da Informação

Pergunta: O tempo gasto no transporte público interfere nos seus estudos?

Resposta: “Sim. Eu preciso sair de casa com bastante antecedência para não correr o risco de chegar atrasado. Quando o ônibus demora ou está lotado, acabo chegando cansado e isso prejudica minha concentração.”

Foto: Marcos Filipi Local: Terminal Garavelo Linha do Ônibus: 282 Amim Camargo

QUANTO TEMPO É PERDIDO?

Considere um trabalhador que passe duas horas por dia no transporte.

Em uma semana de segunda a sábado:

2 horas × 6 dias = 12 horas

Em quatro semanas:

12 × 4 = 48 horas

Em aproximadamente 11 meses de trabalho:

48 × 11 = 528 horas.

Isso equivale a aproximadamente 22 dias completos.

Se o deslocamento chegar a três horas por dia, o número aumenta consideravelmente.

A conta demonstra que o transporte público não representa apenas uma despesa financeira. Existe também um custo de tempo.

O QUE OS MORADORES ESPERAM?

Pesquisa do Instituto Ipsos realizada em 2025 mostrou algumas das principais prioridades apontadas pelos moradores:

Problema ou prioridadePercentual
Redução do tempo de espera49%
Mais linhas de ônibus32%
Lotação29%
Frequência dos ônibus14%
Estado de conservação14%
Dados Obtidos por:https://www.ipsos.com/pt-br

O levantamento também indicou que 44% dos entrevistados aceitariam deixar o carro ou a motocicleta em casa se o transporte público fosse mais rápido.

O resultado mostra que existe espaço para aumentar a utilização do transporte coletivo caso o sistema ofereça maior velocidade e previsibilidade.


Máteria escrita e feita por Marcos Filipi Motta Pamplona, Estudante de Jornalismo 2º período da Faculdade UniAlfa, FICHA DA REPORTAGEM Máteria Escrita no Dia 31/08/2026

Tema: Transporte público e tempo de deslocamento em Goiânia
Local: Goiânia e Região Metropolitana
Público afetado: Trabalhadores, estudantes e demais usuários do transporte coletivo
Principais problemas: Espera, atrasos, lotação, viagens longas e necessidade de integração
Fontes utilizadas: Dados do Site https://www.ipsos.com/pt/br e reportagens sobre o transporte coletivo metropolitano, pesquisa de mobilidade e relatos de usuários

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