Por: Fernanda Xavier, Laysa Milograma , Raiane Arcanjo e Natalia Aquino
Como é o dia a dia de quem vive das feiras livres em Goiânia e os desafios que a modernidade traz para os feirantes.

Foto: Fernanda Xavier
A capital goiana vem ganhando cada vez mais destaque em todo o Brasil. Entre os elementos que chamam a atenção estão as tradicionais feiras livres, presentes em diferentes regiões da cidade e realizadas praticamente todos os dias.
Em uma feira, é possível encontrar desde frutas e verduras até roupas, produtos artesanais e comidas típicas. Que tornam a feira ainda melhor, para muitos dos consumidores, essa experiência é justamente o diferencial em relação aos supermercados. A proximidade com os feirantes e a possibilidade de escolher pessoalmente os produtos tornam a feira um ambiente que envolve mais do que simplesmente abastecer a despensa.
Conversando com a feirante Monize Francyelly da Silva Ribeiro que conhece essa realidade desde a infância. Filha e neta de feirantes, ela conta que praticamente nasceu trabalhando nas feiras e considera a atividade uma tradição familiar.

Foto: Monize Francyelly
“Trabalho na feira desde que nasci, quase. Sou filha e neta de feirantes, então é algo geracional.”
Segundo Monize, o movimento das feiras vem diminuindo ao longo dos anos. Para ela, parte dessa mudança está relacionada à transformação dos hábitos das novas gerações.
“Acredito que a ‘cultura de feira’ em Goiânia é alimentada por público maior de idosos. Hoje em dia tem muita praticidade, os jovens querem algo mais rápido e prático.” Afirma Monize.
Para tentar manter o negócio vivo os próprios feirantes precisam se adaptar. Monize conta que passou a investir no serviço de delivery como uma forma de acompanhar as novas necessidades dos consumidores e manter o negócio em alta.
Apesar das mudanças, ela acredita que as feiras oferecem algo que nenhum outro ambiente oferece na atualidade.
“A feira é um ambiente onde quem gosta e frequenta, é mais que abastecer a geladeira… ir à feira é distrair, comer pastel com caldo de cana, conversar.”

Foto: Fernanda Xavier
Outro ponto destacado pela feirante é a qualidade dos alimentos. Para ela, frutas e verduras encontradas nas feiras costumam ser mais frescas do que as disponíveis em mercados, o que contribui para manter consumidores fiéis ao comércio tradicional.
Mesmo com as dificuldades, Monize afirma que escolheu permanecer no trabalho principalmente pela liberdade proporcionada pela profissão. A possibilidade de organizar os próprios horários e ter autonomia sobre a rotina são alguns dos fatores que fazem com que ela continue na atividade.
“Trabalho com feira pela liberdade. Posso viajar quando quero, sou eu quem faço meus horários, e acho bem divertido, embora seja cansativo.”
A rotina, porém, também possui seus desafios. Entre eles está o horário de trabalho. Muitas feiras começam durante a madrugada, exigindo que os trabalhadores acordem muito cedo para montar as barracas e preparar os produtos.
Quando questionada sobre o que mudaria na profissão, Monize responde com bom humor:
“Sinceramente eu mudaria horários para não ter que acordar tão de madrugada.”
Além da questão dos horários, a estrutura oferecida aos trabalhadores também é uma preocupação. A feirante acredita que o poder público poderia atuar de maneira mais próxima para melhorar as condições de trabalho dos feirantes. “Se a prefeitura pudesse ter um olhar mais clínico, gerando mais qualidade de vida, com banheiros, seguranças, já seria ótimo.”
Entre tradição e modernidade, as feiras de Goiânia seguem tentando encontrar maneiras de permanecer presentes na rotina das pessoas. Para quem frequenta, porém, o espaço continua sendo muito mais do que um lugar para comprar frutas, verduras ou outros produtos. É também um ponto de encontro, de conversa e de preservação que oferece experiência e lazer.