Os desafios do empreendedorismo feminino na venda de roupas de segunda mão
Por Natália Aquino

Foto: Encontro de Brechós
Nos dias 15 e 16 de novembro, dois eventos agitaram o cenário goianiense na área de moda popular: o Festival de Brechós, ocorrido no sábado no Clube Oásis, Setor Bueno, e o Encontro de Brechós, no domingo, com presença na Rua 15, Setor Central, em Goiânia. Ambos os eventos tiveram entrada gratuita e várias opções de stands, em que se ofereciam uma variedade de peças para os mais diferentes públicos.
O sucesso desses eventos demonstra como os brechós vem se consolidando no mercado, e para além disso, como a predominância feminina reforça que as mulheres ganham cada vez mais espaço para se afirmarem como comerciantes. A ascensão de roupas de segunda mão tem sido resultado, em grande parte, da perseverança e resiliência de suas comerciantes, como destacado pelas donas dos brechós MYLOOK e Acervo da Bela.
MYLOOK
Talita Epifânio, empreendedora desde 2020, começou sua jornada com uma loja online, quando se iniciava a pandemia de Covid-19. Porém, além disso, ela participava e ainda participa das feiras e encontros de brechós que ocorrem em Goiânia. Ela também destaca que recentemente, em novembro, abriu uma loja física para servir como apoio para as vendas. Sua principal fonte de renda vem do brechó.
Quando perguntada sobre os desafios de ser mulher atuando em um empreendimento, Talita falou sobre as dificuldades enfrentadas, como a falta de confiança de algumas pessoas próximas. Ela, porém, não se mostra abatida com tal desafio, e destaca que aprende, dia após dia, a confiar no seu processo e manter os pés no chão.
Outro desafio enfrentado na profissão, conforme destaca Talita, é o preconceito existente com roupas de segunda mão. “Esse é um tabu que vem cada dia mais sendo rompido, mas sempre escutamos frases como: ‘Se é roupa de morto’, ‘Se você faz desconto em uma peça de 100 se deixa ela por 40’, ‘Nossa, é roupa usada e tá cara assim’”, finaliza ela.
Acervo da Bela
Izabela Rodrigues Ribeiro, dona do Acervo da Bela, começou sua jornada há sete anos. Ela conta que iniciou o brechó com desapegos pessoais, e que fazia mais para desapegar do que como forma de renda oficial. Ela fazia Ciências Sociais na UFG e ainda não trabalhava, vendo a oportunidade como forma de levantar um rendimento extra. Até que se passaram dois anos, e Izabela voltou a movimentar o guarda-roupa e também o seu Instagram, retornando ao desapego das peças. Foi a partir da conversa com amigas, na qual ela pôde revender também suas roupas, que parece ter começado de fato o empreendimento.
Ela diz, em relação a trabalhar com brechós, que quem trabalha com eles vive disso, literalmente. A exemplo dela, Izabela passa manhãs e noites organizando tarefas diárias em relação ao brechó. Sempre trabalhando, ela salienta que ainda assim, não abre mão de outros projetos. Além da vida pessoal, ela também reserva tempo para atividades físicas e para socializar.
Izabela tem um espaço físico para a loja, onde atende clientes com hora marcada, e onde também realiza eventos bimestrais onde convida outros brechós a participarem. Ela também participa do Encontro de Brechós, sendo uma entusiasta do movimento de reunir os brechós num propósito em comum. Ela sempre busca criar um ambiente acolhedor e intimista para as clientes, e tem atenção especial aos detalhes de seu empreendimento, seja na organização, seja no aconselhamento e dicas de moda.
“Pra mim é algo normal. Tem seus desafios como em qualquer outra área, mas empreender é sobre se arriscar todos os dias. Desde criança sempre tive um lado criativo e desperto para fazer meu próprio dinheiro. Acho que isso é intrínseco ao empreendedor nato”, destaca ela.
Ela segue dizendo que seu maior desafio, atualmente, é se superar todos os dias. E para se superar, ela mantém constância e disciplina no que faz. Ela se vê como uma fonte que não pode secar, o que pode trazer pressões à sua vida. Mas, fazendo o que se gosta, tudo flui melhor, finaliza ela.